19/02/2007
Cerca de 20 % da população padece de acufenos ou tinnitus (zumbidos nos ouvidos), enquanto que 6 % sofre-os de maneira persistente.
Assim o adverte o Dr. Joan Doménech, otorrinolaringólogo especializado em audiologia do Hospital Clínic de Barcelona; além disso, afirma que as crianças e adolescentes correm mais riscos de padecer de tinnitus (zumbidos nos ouvidos) devido à grande exposição ao ruído.
Escutar durante 24 horas um zumbido, o tilintar de campainhas ou algo semelhante ao ruído do mar nos ouvidos sem que ninguém mais os escute, pode conduzir a graves alterações psíquicas e também afectar severamente a vida quotidiana. Esta doença sintomática, denominada tinnitus ou acufenos, pode afectar pessoas de todas as idades, incluindo crianças e adolescentes. «Contudo, dada a exposição a altos níveis de ruído que os jovens de hoje estão submetidos, é maior o risco de que venham a sofrer de tinnitus a longo prazo», destaca o Dr. Doménech. Por este motivo, adverte que no futuro «os jovens de hoje, quando atingirem os 50 anos terão problemas auditivos que actualmente são detectados em pessoas com 70».
De facto, um estudo realizado pelo Royal Institute for Deaf People (RNID) de Londres, comprovou que a metade dos jovens que foram expostos a altos níveis de música, sofreram de imediato problemas auditivos. Do mesmo modo, esta investigação constatou que, das pessoas afectadas pelo tinnitus, cerca de 20 % haviam suportado níveis superiores aos 100 decibéis (dB), quando o máximo aceitável como «não perigoso» é de 85.
«Quando os jovens ouvem o walkman no volume máximo ou saem das discotecas, costumam sofrer um passageiro zumbido nos ouvidos. Mas, a longo prazo e em pessoas mais predispostas, estes acufenos podem converter-se num dano permanente», acrescenta María José Gassó, audioprotesista e especialista em tinnitus da GAES Centros Auditivos. Com efeito, o ouvido está preparado para suportar ruídos inferiores a 85 decibéis. Mas em certas discotecas, cinemas e mesmo cafés, estes níveis podem chegar a 120 ou 130 decibéis. «E a exposição a mais de 110 decibéis é suficiente para causar danos auditivos a curto ou longo prazo, entre os quais se contam os acufenos», realça Gassó.
Os acufenos ou tinnitus - do latim «tinye-tus» ou «tin-ni-tus», que quer dizer zumbido ou tilintar de campainhas - não tem cura. Mas sim tratamento. A Terapia de Reeducação do Tinnitus ou acufenos (TRT) é uma das técnicas eficazes para tratar este problema. Baseia-se em procedimentos psico-emocionais e utiliza instrumentos como os geradores de sons, que ajudam a evitar o silêncio e facilitam a habituação do paciente ao acufeno. Dispositivos como o TCI têm conseguido melhorias em cerca de 70% dos pacientes. (3)
«Ainda que esta doença seja mais típica em jovens e adultos, também tem sido detectada em crianças, mas custa-lhes sempre mais a distinguir que escutam algo "estranho" e muito mais em descrevê-lo», comenta María José Gassó. Por tudo isto, a audioprotesista da GAES recomenda que, se os pais suspeitarem de que o seu filho possa estar a sofrer de acufenos, o mais indicado é procurar um especialista para que o mesmo possa identificar o problema e obter um diagnóstico o mais breve possível.
De qualquer modo, não se trata de uma doença contemporânea. Os primeiros a descobrir este problema foram os antigos egípcios, que conheciam o mal pelo nome de «ouvido encantado», denominação que foi traduzida em latim por «tinnitus». Desde tempos remotos, a população mundial tem padecido desta doença, da qual ainda não foi descoberta uma causa concreta nem uma solução totalmente eficaz. Entre aqueles que sofreram de tinnitus, figuram nomes famosos como Beethoven, Goya e Miguel Ângelo.
Actualmente, cerca de 20% da população padece de acufenos, enquanto que cerca de 6% sofre de forma persistente e 1% de forma crónica, segundo numerosos estudos. As causas podem ser múltiplas. Foram detectadas mais de uma centena, entre as quais se encontram as bolas de cerúmen, as perfurações dos tímpanos e a acumulação de fluidos no ouvido médio. Não obstante, os especialistas consideram que uma das mais frequentes é a exposição a ruídos de grande intensidade, como a música muito alta em ambientes fechados ou o uso constante de auriculares.
«Trata-se de um problema sério porque representa um grave inconveniente na vida quotidiana de quem o sofre. Costuma originar transtornos do sono, perda de equilíbrio, uma menor resistência ao stress, depressão, problemas de convivência e inclusive pensamentos suicidas», afirma o Doutor Joan Doménech.
Apesar da gravidade do problema, ainda não foi descoberta uma solução definitiva. Não existe operação, dieta ou medicação alguma que os faça desaparecer. Contudo, a terapia de reeducação do acufeno (TRT) ou terapia de habituação, surgiu como um novo conceito que, apesar de não prometer a cura, proporciona resultados muito bons a longo prazo. «Com efeito, 70% dos pacientes manifesta uma notória melhoria com as TRT», afirma a audioprotesista da GAES, María José Gassó. Isto é confirmado por um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Brasil, no qual se assegura que «aqueles que seguiram a TRT têm mostrado excelentes taxas de melhoria do acufeno». (4)
Um instrumento de última tecnologia aplicado às TRT é o Tinnitus Control Instrument (TCI), uma espécie de aparelho auditivo que é programado através do computador e que funciona de forma semelhante a um mascarador de sons, que emite um som de baixa intensidade que favorece o processo de habituação do paciente.
Esta tecnologia, utilizada para reduzir ao máximo os acufenos, tem dado resultados surpreendentes. Segundo um estudo clínico do Bad Meinberg Tinnitus Research Group da Alemanha em colaboração com a Siemens, 70% dos pacientes que utilizaram o TCI obtiveram uma notável melhoria do acufeno e 3% assegurou que a doença desapareceu totalmente depois da terapia de habituação a esta tecnologia. De qualquer modo, o tratamento do tinnitus não responde apenas a uma técnica, mas complementa-se com o apoio psicológico e, por vezes, com determinados medicamentos